Review - FMS EasyTrainer 1280

Por Alexandre Costa Magalhães

Introdução

Recebi da loja Asas Elétricas (www.asaseletricas.com.br) um FMS EasyTrainer 1280 RTF, para para ser testado em várias situações comuns no aeromodelismo elétrico.


Ele fica na seção de "Aeromodelos/Treinadores", e atualmente (julho de 2014) custa pouco mais de 600 reais à vista na versão testada (a mais completa, RTF).


O EasyTrainer é um motoplanador de envergadura pouco maior que a maioria dos modelos elétricos básicos e pouco menor que os planadores de entrada, com quatro canais, motor pusher, construção em EPO, asas desmontáveis, e que nesta versão já vem o mais pronto para voar possível, precisando de muito pouca finalização.


Gosto desta configuração pela resistência, segurança e versatilidade. Com o motor na parte traseira a frente é toda macia (espuma de EPO) e fica livre para colocar uma pequena câmera de vídeo, além de suportar bem pequenos abusos e pousos ruins sem quebrar nada.


O EasyTrainer é o terceiro modelo que experimento com este projeto básico, portanto por mais que tente é impossível não compará-lo com os anteriores enquanto monto, testo e observo os detalhes. O primeiro é um projeto alemão consagrado e pioneiro, o segundo é outro produto chinês bastante popular. Estes dois (chinês e alemão) são os "coringas" que sempre levo para o campo, em viagens e demonstrações.


Ele tem três utilizações principais, treinador básico (já sugerido pelo nome), motoplanador para encosta, e voos em primeira pessoa (FPV).


O alemão é o pioneiro neste tipo de projeto, excelente voador, mas por ser pioneiro não tinha no que se basear antes e acabou com algumas leves deficiências que cada piloto ajusta a seu modo e cada concorrente corrige à sua altura.


Na verdade estas deficiências são características de projeto porque foi criado em um contexto diferente, com motor escovado, sem ailerons e com leme pequeno, feito par a voar nos vastos pastos e campos alemães com vento calmo típico do interior da Bavária.  Quando o comprei voei com o motor escovado, profundor e leme e foi ótimo, mas quando peguei vento forte com rajadas ficou muito tenso. Descartei o motor escovado, instalei um brushless de 2200Kv fixado a uma base plástica, cortei ailerons nas pontas das asas, e após algum trabalho fiquei com algo muito parecido com o EasyTrainer.


O concorrente chinês é mais moderno, já veio com motor brushless, mas enclausurado demais, alguns colegas reclamaram de ter danificado motores por superaquecimento, e a fuselagem veio colada, mas tive que reforçar a cola em algumas partes mais exigidas porque não tinha boa aderência. A falta de aderência só ajudou no caso do motor, tive que descolar e remontar com a base ao contrário, para que o motor ficasse para fora e ganhasse refrigeração decente. Nos primeiros testes queimou um servo, deixei de confiar neles e troquei-os todos. O servo queimado acabou causando também a queima do ESC, portanto da eletrônica acabei usando apenas o motor, teria sido melhor pegar o kit.

Primeiras impressões e montagem

Voltando ao EasyTrainer, o modelo veio bem embalado, além da caixa dele que já protege bem a loja embrulhou em papelão corrugado, o suficiente para chegar ileso mesmo passando por nosso complicado correio.


Foto 1 - Com a proteção extra, a caixa chegou inteira

Foto 2 - A caixa moldada acomoda bem todas as partes

Foto 3 - Conteúdo da caixa (falta apenas a bateria nesta foto)

Ao abrir a caixa continuo a comparação e percebo as diferenças e semelhanças entre os projetos.


A caixa contém:

  • Manuais do aeromodelo, ESC, rádio e carregador;
  • Carregador de baterias 2S ou 3S, saída de 1A , adequado às baterias 1300mAh recomendadas;
  • Bateria de 1300mAh 7,4V (2S LiPo).
  • Fuselagem;
  • Baioneta;
  • Dois painéis de asa;
  • Estabilizador horizontal;
  • Hélice 5x3 de nylon, firme e resistente;
  • Peças para completar a montagem (horn, parafusos, pinos de fixação das asas, chave Philips, cola, horns e clévis sobressalentes);
  • Transmissor de rádio 2,4GHz FHSS, pequeno, alimentado por quatro pilhas.


Portanto, tudo que é preciso para voá-lo, exceto as quatro pilhas AA para o transmissor (não está especificado, mas recomendo sempre pilhas alcalinas), e uma fonte de 12V para ligar o carregador.


Foto 4 – rádio simples mas com ótimo alcance

No geral o EasyTrainer tem envergadura ligeiramente menor do que o alemão (1280mm contra 1370mm), ligeiramente mais comprido (910mm contra 870mm), asa com menor corda na raiz mas que se mantém retangular até a parte curva, área de asa ligeiramente menor (21,4dm² contra 24,0dm²), estabilizador vertical ligeiramente maior, área de leme ligeiramente maior também, portanto é de se esperar características de voo semelhantes.


A montagem é muito simples, as asas já vêm prontas para usar (ponto para o EasyTrainer), com longarinas embutidas e baioneta retangular de fibra de vidro, arranjo diferente dos demais modelos deste tipo que já testei que usam um tubo de fibra de vidro que já serve de baioneta e longarina. Este arranjo com baioneta separada da longarina tem duas vantagens principais, a principal é maior rigidez da asa já que a longarina acompanha a maior parte da envergadura, outra é que a baioneta é pequena e fácil de guardar na caixa./p>

Instalar a asa é facílimo, basta inserir a baioneta em um dos painéis, inserir este painel na fuselagem e inserir o outro painel na baioneta. Recomendo um pouco de cuidado nesta etapa porque o encaixe da baioneta não tem um fim de curso, ao pressionar para encaixar o segundo lado ela deslizou e empurrou a espuma, fazendo um pequeno dente, nada sério, mas evitável.


Foto 5 - Encaixe da baioneta

No concorrente alemão a fixação da asa é por encaixe macho-fêmea moldado nos próprios painéis, funciona quando é novo mas após um tempo não fica tão firme, no que tenho já surradinho eu colei velcros nos painéis de asa para evitar que se soltem em voo.  No concorrente chinês são usados longos parafusos, uma solução pouco prática para montar as asas em campo, novamente tive que modificar e colei ímãs nos painéis de asa para facilitar a vida.


No EasyTrainer, a solução é a ideal, dois pinos de encaixe fixam perfeitamente a asa e ficam seguros, porém são facílimos de instalar e retirar, ponto para o EasyTrainer.


Foto 6 - Pinos de fixação dos painéis da asa

O estabilizador vertical é pré-moldado na fuselagem e já vem com o horn instalado, uma coisa a menos para se preocupar. A área total do estabilizador vertical é maior que no alemão, o que contribui para estabilidade em caso de turbulência, e sua área de leme também é maior, adequada ao modelo. Mais um ponto para o EasyTrainer, tanto a área de leme é adequada quanto as asas já vêm com ailerons moldados e instalados.


No final, o único horn que precisa ser instalado é o do profundor, para isto basta encaixar no lugar e unir o horn à sua base com dois parafusos Philips que acompanham o conjunto.  Só tenho a criticar que a chave Philips que acompanha o conjunto não tem a medida exata dos parafusos, funcionaria mas podia espanar os parafusos, então usei uma chave minha para isto, mas nada sério.


Foto 7 - Horn parafusado e lincado

Foto 8 - A chave que vem no conjunto (abaixo) e a minha (acima)

Na caixa além de vir um parafuso extra (são necessários dois, vieram três), ainda vêm horns, clévis e anéis de borracha extra para travar os clévis.


Todos os horns têm três furos onde podem-se encaixar os clévis, nos que já vêm pré-montados é usado o furo mais externo, para usar como treinador pode ser usada esta configuração também.


Após instalar o horn o manual manda passar cola no estabilizador horizontal e colá-lo à fuselagem, se um iniciante for montar e não tiver muita habilidade manual nem alguém com experiência em modelismo para ajudar é o que recomendo, fica leve, é fácil e evita erros.


Foto 9 - Encaixe do estabilizador horizontal

Mas o encaixe macho-fêmea é tão certinho que acabei colando uma porca autofixante na base do estabilizador vertical, reforçando a base deste com cartão de crédito, e colocando um reforço plástico na ponta da cauda através do qual passo um parafuso de nylon intertravando as duas partes.


Este parafuso atravessa um furo que fiz no estabilizador horizontal e com a porca segura o conjunto de cauda que fica firme, mas pode ser desmontado e montado facilmente./p>

Com esta parte desmontável, o aeromodelo cabe na caixa em que veio, facilitando o transporte.  Tenho feito isto com alguns modelos mais versáteis que tenho, desta forma mesmo que vá viajar com a família consigo levar uma caixa com tudo que preciso no fundo do porta-malas do carro sem atrapalhar o resto da bagagem, ou na pior das hipóteses posso lacrar em um saco plástico e amarrar no rack de teto.


A bateria recomendada no manual vem com o conjunto, é uma 1300mAh 2S (7,4V), bastante comum e fácil de achar reposição. Esta bateria é leve e adequada ao conjunto, suficiente para voar 10 a 20 minutos dependendo do uso do acelerador, ou bem mais do que isto aproveitando térmicas ou ascendentes de encosta.


O ESC e o receptor vieram em uma posição meio estranha, o ESC entre os servos e o receptor atrás dele, achei o arranjo meio ruim pois fica impossível garantir que a antena não encoste nos links metálicos dos servos, o que afetaria o sinal, mas procurei outras disposições que fossem possíveis e práticas mas acabei deixando assim mesmo, somente tomando o cuidado de colar o receptor com velcro à lateral direita da fuselagem, e passando os fios dos ailerons do lado oposto por trás do link metálico, para evitar que encostassem.


Foto 11 - Disposição dos componentes pronto para voar

O ESC vem pré-instalado também, com conector JST macho na entrada. Não é muito comum usar este tipo de conector em baterias de 1300mAh, geralmente ele vem nas baterias de 700mAh ou menos, mas são fáceis de achar ou trocar, ou achar adaptadores prontos.


Foto 12 - ESC

O motor é adequado à utilização, até um pouco superdimensionado para o uso com 2S, e como é bem refrigerado trabalha frio. No concorrente chinês há pouco espaço ao redor do motor para circular, o que causa aquecimento excessivo.


Foto 13 - Motor bem dimensionado e bem ventilado

O canopi tem fixação prática, um “pino” na parte da frente e travas plásticas na parte traseira, solução prática e confiável. Com um pequeno painel de instrumentos e assento também fica simpático, principalmente para iniciantes, fica mais realista.


Foto 14 - Canopi com instrumentos para um visual mais atraente

A hélice é meio chata para balancear devido ao furo de diâmetro bem pequeno, não cabe no meu balanceador e tive que improvisar com um eixo sobressalente e duas lâminas de estilete montadas horizontalmente (conferidas com nível de bolha).


Após conferir tudo, instalei a hélice, também bastante adequada a iniciantes pois tem uma cavidade sextavada na parte da frente do cubo, que encaixa em uma peça de nylon que atua como separador, fica tanto seguro evitando girar em falso quanto à prova de erros já que não entra ao contrário.  O spinner que fixa o conjunto pode ser apertado usando a própria chave Philips que acompanha o conjunto como alavanca em seu furo.


Foto 15 - Fixação da hélice

Nas asas a única coisa a reclamar é que os ailerons estão instalados muito no meio, não chegando até a ponta, mas isto não prejudica sua função nem como treinador nem como planador de encosta. Pode causar pequena desvantagem em térmicas porque é preciso mais deflexão para fazer curvas, o que prejudica um pouco a eficiência da asa, mas quando pego térmicas com asas neste formato (ponteira elíptica) geralmente uso mais leme do que aileron para curvas.


Durante a semana sem ter como testar muita coisa, aproveitei para testar o rádio. Com o transmissor fixado no centro da janela da cozinha, com vista livre para a Rodovia Anchieta, levei o receptor para passear de carro, consegui 2800m de alcance em todas as posições da antena, medidos da passarela próxima à Universidade Metodista até minha janela.  Excelente para um rádio despretensioso, com uma única antena monopolo de ¼ de onda, e suficiente para usar sem medo.


Aproveitei também para carregar a bateria e testar a precisão do carregador, que funcionou perfeitamente, e testar os servos, que se mostraram de boa qualidade, precisos, não aquecem nem vibram em uso. O ESC é de 20A mas o motor não chega nem perto deste consumo, também ficou frio o tempo todo.

Na encosta

Como a previsão do tempo não animava, com vento forte e céu nublado para o final de semana prolongado, acabei invertendo a ordem dos testes que tinha planejado e fui para a encosta antes de testar no plano.


O trecho de encosta em que voamos em Pirapora não é regular, no primeiro lançamento ao sair da borda o EasyTrainer recebeu uma rajada de vento lateral, inclinou para a esquerda e não consegui forçar sua volta com aileron e leme mudei de estratégia e fiz uma volta sobre o pico, pousando onde foi possível.


Mudei então todos os clévis de posição, colocando na posição mais interna dos respectivos horns para aumentar os comandos, portanto para voar encosta recomendo usar os furos internos dos horns e o máximo de comando.


Foto 17 - Voando na encosta

O segundo lançamento foi perfeito, com mais comandos ele tomou o mesmo tapa e inclinou para a esquerda, mas compensei com os ailerons e leme, e não tive mais problemas. Um pouco de trim de aileron para a direita e voou nivelado.


Os outros modelos que estavam na encosta eram motoplanadores maiores, de 1,5m, 1,8m e 2,6m com hélice dobrável, e um planador de alto desempenho.


Não é fácil competir com eles, mas o motor “nas costas” não atrapalha tanto a aerodinâmica, e gosto muito de hélices de 5 polegadas porque também não são um grande problema se não forem dobráveis. Antigamente era muito comum planadores convencionais carregarem um motor Cox .049 com hélice 5x3 sobre a asa para dispensar reboque e quase não se percebia perdas.


Apesar da diferença de tamanho o EasyTrainer não decepcionou e não fez feio, conseguia aproveitar o mesmo lift, subir igualmente bem, e cheguei a pegar uma térmica que levou muito acima do lift. A estabilidade também foi excelente, permitindo tirar fotos com a mão direita enquanto controlava aileron e profundor com a esquerda, nesta hora senti falta de um ponto de fixação para alça no rádio, por sorte a câmera tinha alça de pescoço.


Após voar até cansar, passei o modelo para um colega pilotar enquanto tirava mais fotos, voei mais um tempo até o vento diminuir um pouco e o céu se encher de paragliders, em nome da segurança fiz algumas curvas perdendo energia e trouxe sobre a encosta, pousando na grama próximo a mim suavemente. A tensão da bateria quase não se alterou, daria para voar por mais algumas horas, ou fazer quantos voos aguentasse.


Foto 18 - voando encosta

Na pista

No dia seguinte acorde cedo e ao olhar pela janela o tempo estava melhor, com céu parcialmente descoberto e pouco vento. Corri para a pista mas quando cheguei as nuvens tinham voltado e o vento já estava forte, mas para não perder a viagem fiz o voo de teste assim mesmo.


Após montar o EasyTrainer, deixei a câmera com um amigo, apliquei meio motor, segurei o rádio com a mão esquerda e lancei. Com o modelo já em voo e o rádio já na mão, acelerei mais um pouco e deixei ganhar altitude sem precisar mexer quase nada nos comandos, para depois comandar curvas para voar em circuito e testar a estabilidade e facilidade de voo.


Foto 19 -voando na pista

Para voo normal usei muito pouco comando (lembrando que tinha deixado tudo no máximo na véspera), mas mesmo com os comandos no máximo o modelo não ficou arisco.  Com o vento já ficando mais forte e turbulento o EasyTrainer se mostrou bastante versátil, fazendo circuitos com pouco comando e sem sustos, e arrisquei alguns rolls, loopings e voo de dorso, nos rolls senti novamente que os ailerons ficam muito no meio da asa, mas lembrei que a intenção do modelo passa bem longe das acrobacias.


Foto 20 - Acrobacias

Antes de pousar fiz algumas passagens mais baixas de preparação, testando os comandos com pouca velocidade e quase parando contra o vento, nesta hora a posição do aileron se paga, pois mesmo abusando dos ailerons para corrigir e com pouca velocidade não há nenhuma tendência a estol de ponta de asa.


Pouso suave, passando um pouco do ponto previsto por causa do planeio maior do que a maioria dos treinadores, como tinha compromisso desmontei e EasyTrainer e guardei no fundo do porta-malas, conversei um pouco com os amigos e saí.


Foto 21 - Cauda parafusada, agora cabe na própria caixa e fica perfeito para viagens

Já em casa, recarreguei a bateria em um carregador inteligente e verifiquei que mesmo com vento turbulento só gastei menos de um terço (413mAh) de sua capacidade em um voo de 5 minutos (teria voado mais, mas o vento estava irritante), o que confirma a estimativa de 10 a 20 minutos de voo com a bateria de 1300mAh.

FPV

Confesso que não acreditei muito na capacidade FPV deste modelo, por causa de seu tamanho. A maioria dos modelos para FPV é bem maior, até o concorrente chinês que tenho e que já adaptei para voar FPV é um pouco maior e não obteve muito sucesso, o equipamento ficou muito agrupado, causando interferência, e o peso adicional prejudicou o vôo.


Para o teste de FPV o modelo teria que sofrer algumas modificações de qualquer forma, portanto incluí algumas para deixar mais prático e versátil. Isto me permitiu também evitar alguns erros que fiz no concorrente quando adaptei para FPV.


Foto 22 - Visão interna

Há um lastro de 40g colado por dentro do nariz, perfeito para utilizar como treinador ou encosta, mas retirei para ganhar flexibilidade e economizar peso, assim posso colocar quando quiser voar com a bateria original, ou deixar fora para voar com bateria maior, câmera, etc;


O motor que acompanha tem 30mm de diâmetro externo, 13mm de comprimento do estator, 17mm de comprimento do bell, não achei muita referência à utilização dele com 3S, mas uso em outro modelo um 2826/6 2200kv com 3S, quase do tamanho dele, passa de 200W com hélice 5x3. É preciso ter mais potência disponível para voar FPV, para compensar o peso extra e subir mais rápido se necessário, para isto o ideal é trocar o motor por um mais potente que suporte 3S com hélice 5x3.


Mas como o motor estava muito bem ajustado no modelo e consumia muito pouco com a bateria 2S, decidi arriscar seu uso com 3S e foi uma boa decisão a princípio. Com 3S o motor ficou bem mais forte, mas sem superaquecer. Já o ESC foi trocado por um de maior capacidade para evitar problemas.


Posteriormente descobri que este motor é de Kv muito alto (3900kv), e apesar de não ter superaquecido a utilização comprometeria muito a vida útil. Acabei trocando-o por um 2812 com Kv=2200mAh, que ficou muito forte e sem o risco de superaquecimento.


Não é preciso desmontar o modelo para transformar para FPV, mas como já tinha aberto um pouco o nariz para retirar o lastro continuei descolando as duas metades da fuselagem até transformá-la novamente em kit. Admito que fiquei com pena de desfazer uma bela colagem, mas achei que seria vantajoso fazer isto para saber o que tinha dentro, já que não achei versão dele em kit à venda, apenas semi-montada.


Com a fuselagem já separada, percebi que provavelmente o ideal seria montar receptor na parte traseira, piloto automático no centro, câmera e transmissor de vídeo na frente, assim ficaria com uma boa distribuição de peso e ainda manteria a principal origem de interferência (transmissor de vídeo) longe do receptor e da antena do GPS.


Foto 23 - Nova posição dos servos e posição do piloto automático

Pensei em montar a antena do GPS acima da base da asa, mas ficaria perigosamente perto da antena de vídeo, acabei optando por fazer um recorte na asa e fixar o receptor do GPS quase na ponta da asa esquerda, longe de tudo que possa atrapalhar.


A disposição final ficou assim:

  • Piloto automático, receptor e servo de profundor e leme sob a parte traseira da asa, atrás do CG;
  • Receptor de GPS na asa esquerda;
  • Uma das antenas do receptor instalada no estabilizador vertical;
  • ESC sob a asa;
  • Bateria 3S 2100mAh próxima do nariz;
  • Carenagem com base parecida com a do canopi contendo câmera FPV, transmissor de vídeo, antena de vídeo e filtros, presa no lugar do canopi com fita adesiva;
  • Câmera Full HD (Mobius) na asa direita.

Fiz cortes sob a asa para acomodar os conectores de servo e GPS:

Foto 24 - encaixes para os servos e GPS

Foto 25 - Servo e GPS conectados

A montagem ficou ótima, nos testes de solo o transmissor de vídeo não teve influência alguma no nível de sinal do receptor, o GPS não foi afetado nem pelo transmissor de vídeo nem pela telemetria do receptor, tudo funcionou corretamente.


Foto 26 - Pronto para voar FPV

Foto 27 - receptor GPS

Foto 28 - antena do receptor

O peso extra do conjunto de FPV, já incluindo as duas câmeras foi de apenas 250g, o modelo ficou com 910g pronto para voar FPV.


Na pista como sempre o equipamento de FPV atraiu logo a atenção de todos. Feita a montagem e verificação dos equipamentos, apliquei meia potência e lancei o modelo da mesma forma que fiz sem o equipamento, ele manteve a horizontal facilmente enquanto ganhava velocidade e subia. Alguns segundos de motor e já estava a cerca de 50m de altitude, seguro o suficiente para testar os comandos de circular e retorno para a base (RTH), neste ponto sentei em frente ao monitor e comecei a pilotá-lo em primeira pessoa. A pilotagem foi extremamente fácil, com velocidade, estabilidade e penetração contra o vento mais que adequadas à proposta, permitindo explorar os arredores com segurança e tranqüilidade.


Após algumas voltas explorando os arredores trouxe para a reta de aproximação da pista e pousei em terceira pessoa.


Foto 29 - Descansando do FPV

Após conversar um pouco com os amigos de pista, troquei a bateria e fiz novo vôo, novamente sem surpresas e muito agradável. Neste segundo vôo o alinhamento estava tão perfeito que arrisquei fazer o pouso em primeira pessoa, aproveitando da resistência e estabilidade do modelo. Se eventualmente errasse o pouso, estolando acima da pista ou batendo mais forte, o material e forma como é construído protegeriam a bateria e eletrônica, uma segurança que este tipo de modelo dá.


O pouso não podia ser melhor, já sem motor fui perdendo altura na aproximação até passar em rasante sobre a cabeceira, a partir da qual fui levantando o nariz conforme via a proximidade do solo, acabou sendo um arredondamento perfeito.


Foto 30 - Vista aérea dos arredores

Foto 31 - aproximação para pouso

Conclusão

Testei o EasyTrainer como um iniciante faria, montando de acordo com o manual e sem alterações, e ele surpreendeu com um ótimo voo tanto na pista quanto na encosta. Infelizmente não havia um iniciante para testar, mas no começo do ano ensinei meu sobrinho Rômulo a pilotar com o concorrente alemão e em poucas horas ele já tinha dominado o modelo, inclusive se sentiu bem mais à vontade do que com o treinador de balsa de 1,5m que levei no dia. Vou indicar o EasyTrainer para ele.


Na pista foi estável e fácil de voar, e ao mesmo tempo enfrentou vento sem problemas.


Na encosta voou junto com motoplanadores maiores sem fazer feio, foram horas de diversão aproveitando o vento.


Para voar FPV ele precisou de algumas alterações, dentro do esperado, e em seu voo de teste se mostrou estável, fácil de pilotar, e capaz de carregar transmissor de vídeo, câmeras e piloto automático sem problemas.


Prós:

  • Estabilidade;
  • Baixo consumo;
  • Bom planeio;
  • Facilidade de montagem;
  • Boa qualidade do modelo e dos componentes;
  • Ótimo custo/benefício.

Melhorias desejáveis:

  • A hélice é boa, mas vem muito desbalanceada;
  • Aileron muito no centro da asa, precisa de bastante deflexão para comandos mais radicais;
  • Se houver fixação do estabilizador horizontal por parafuso “de fábrica” fica muito mais prático para transportar.