Iniciando : Conceitos e Projetos básicos.

Este é um espaço destinado tanto para as pessoas que gostam do vôo silencioso e tranquilo dos planadores quanto para aqueles que curtem a adrenalina do voo rápido e acrobático dos planadores de colina.

Moderador: Alvaro Sala

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Marcos Quito
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Iniciando : Conceitos e Projetos básicos.

Mensagempor Marcos Quito » 14 Fev 2007 07:22

Sinto falta de um tópico para iniciantes específico para Planadores.

Muitas vezes encontramos iniciantes desesperados atrás de kevlar, fibra de carbono, fibra de vidro, washouts, CA especial, filamentosa, servo com engrenagem de metal, vacuum bagging, moldes, rádio de 6 canais, quando podemos simplificar BASTANTE as coisas ao invés de complicar.

Acho que ninguém que está iniciando fica motivado gastando uma fortuna em tempo e dinheiro, e depois descobrindo que aquilo que ele achou que construiu foi apenas um punhado de lixo.

Tá certo que construir é gostoso, mas acho que conseguimos motivar mais os iniciantes ajudando-os a ir pro campo e VOAR.

Sugiro aqui então, contribuições para tratarmos de assuntos como :

- Modalidades e tipos de planadores
- Onde voar ?
- CG
- Dive test
- Modelos simples e fáceis
- Quantos canais eu realmente preciso?
- O primeiro vôo
- A decolagem
- O pouso
- Erros que todos cometemos

Sugiro começarmos com as "modalidades".
Tire esse negócio que gira do nariz do seu modelo !!

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Felipe Voltan
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Mensagempor Felipe Voltan » 14 Fev 2007 08:55

Parabens Marcos.
Vou dar minha opiniao, não é critica, muitas vezes vejo a indicação de micro servos muito elabaorados e eletronica complexa, bem como materias de certa forma caros e dificeis de serem encontrados.
Além de planadores, pratico voo de avioes giants chegando até 100 C.C. 1/3 de escala, sei que é dificil de se comparar, porém nao utiliso de tanta tecnologia como tenho visto a procupaçao por parte dos planadoristas, claro que o peso é um fator a ser dito, mas penso que as vezes ''super ponteciamos" de mais nossos equipamentos, sem esquecer da segurança, isto acarretando um preço muito alto ao inicante!
Por isso digo, comecem com coisas basicas compre um radio simples, ao nao ser que tenha uma boa oportunidade de um material melhor.
Meu conselho pra quem começar é compre gentle lady, drifiter ou outro que se encaixe nessa modalidade, junto a um radio 3 ou 4 canais FM e comece!
Um Grande Abraço amigos!

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Mensagempor Marcos Quito » 16 Fev 2007 08:50

Modalidades e tipos de planadores RC :

Existem infinitas modalidades, vou citar algumas, mas sempre vai faltar uma...

-Sport - Classe livre, tipicamente modelo de 2metros, eletrônica standard, fácil de montar, pode fazer +-pesado, tolera muitos erros. Só não tolera asa torcida. Ex. : Gentle Lady, Spirit (2m). É a porta de entrada mais comum em planadorismo. Vôo lento, 2 canais, Leme/prof. Peso de 800 a 1100g.
Voa colina com vento fraco, hi-start, guincho com cautela.

-Minitérmicos : 1,5m, 200~400g, exige microeletrônica, construção mais aguçada, melhor comprar pronto.
Também bom para iniciantes, vôo lento, 2canais, leme/prof.
Voa colina com vento fraco, hi-start, guincho com cautela.
Ex. Flyng.

-DLG, HLG = Discus Launch Glider/Hand Launch Glider. Muito parecido em termos de tamanho com o Minitérmico, 2canais, Leme/prof.
Voa colina com vento fraco, hi-start, guincho com cautela.
Mas a grande graça é usar as técnicas Discus Launch para lançar com a mão mesmo, em terreno plano.

- F3J - 3metros, 2~4kg. Este é o REI dos planadores. Sem dúvida o mais eficiente, o melhor.... e o mais caro !
Tipicamente o modelo é comprado pronto. Fibra, kevlar, carbono, micro servo com engrenagem metálica, são pré-requisitos.
Voa colina com qualquer vento, hi-start, guincho com toda a potência.
Usa todos os canais que você tiver. Rádio programável para funções flaperon, butterfly, V-tail, etc...
Ex. Tsunami.

- Escala : Qualquer tamanho, normalmente maior que 3 metros. Modelos escala quase perfeita de planadores "de gente".
Possível construir por plantas, ou comprar pronto.
Voa colina, hi-start, guincho, mas o típico é o reboque com um outro avião - normalmente a combustão.
Ex. Ka18.
Precisa de uns 4 a 8 canais.

- PSS : Power Scale Soaring. De 1m até o infinito... Pesado... para um planador.
Como o nome diz, é um modelo parecido com um avião (2a. guerra, caça, etc...) só que SEM MOTOR (claro, é planador !).
Voa em COLINAS com vento de moderado para forte, e muito forte.
Não precisa mais que 2 canais, mas depende da criatividade.
Modelos podem ser comprados, mas a diversão mesmo é fazê-los de isopor ou EPP, por que eles vão tomar MUITA pancada nos pousos. Existem de balsa, mas tem que reforçar muito, compensado e fibra.
Ex. P51 mustang da DAW (David Aircraft Works)

Puts, será que só eu vou escrever ?? Alguém poderia colocar uns links para os Exemplos de cada, e alguns vídeos tbém...
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Mensagempor Marcos Quito » 17 Fev 2007 08:33

Faltou modalidade :

-COLINA : São planadores mais ágeis e velozes que os térmicos. Tipicamente usam aileron/profundor. Usam fibra de vidro, carbono.
Ex. clássico é o Ninja.

- PILON RACING : Aquela prova dos dois mastros, para competição de velocidade, achei um video :
http://www.sbslopers.org/movies/ISR%20Warbird%20Racing%2004-26-2003/warbird_races_silver_final.wmv

- ASAS VOADORAS (estou criando esta modalidade, acho que a Zagi merece pela sua singularidade). É que as asas voadoras são uma coisa a parte. A Zagi é super versátil, pode se enquadrar em várias categorias. O principal que eu vejo da Zagi é que ela vai te ENSINAR a pilotar. Não importa o que vc já pilotou, vc só tem a ganhar em dedo se ficar uns 6 meses com uma Zagi.
E fora as asas tipo Plank (tábua), aí é uma paixão particular. São super versáteis, com a vantagem de não ser traiçoeiras como a Zagi.
Ex. :
http://www.slopeflyer.com/artman/publish/cat_index_66.shtml

Alguns exemplos :

Sport :
http://www.greatplanes.com/airplanes/gpma0530.html

Minitérmicos :
http://www.hobbytron.com/KyoshoSwingAirplane.html

DLG, HLG :
http://gustavo.exel.com.br/rc/class-f3k/index.html

F3J -
http://www.modellbau-pollack.de/shop/f3j/amethyst.html

Escala :
http://www.horizonhobby.com/Articles/Article.aspx?ArticleID=1479

PSS :
http://www.leadingedgegliders.com/index.php?pid=3

Colina :
http://www.slopeflyer.com/artman/publish/cat_index_53.shtml
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Mensagempor Marcos Quito » 21 Fev 2007 23:45

Bom, agora o que é mais oficial...

No site da FAI - FEDERATION AERONAUTIQUE INTERNATIONALE - http://www.fai.org/aeromodelling/documents/sc4 - as categorias "oficiais" seriam :

F3B – RC THERMAL SOARING
F3J – RC THERMAL DURATION GLIDERS
..........
F3F – RC SLOPE SOARING
F3H – RC SOARING CROSS COUNTRY
F3I – RC AERO-TOW GLIDERS
F3K – RC HAND LAUNCH GLIDERS

Sendo que as regras para F3B e F3J são oficiais, as demais são provisórias. Por provisórias podemos entender várias coisas, mas a principal mensagem que fica é : São categorias relativamente novas para o esporte.

Para baixar as regras, é clicar no link :
ftp://www.fai.org/sporting_code/sc4/sc4.f3bj.07.zip

Para se fazer uma competição FAI precisa-se de vários pré-requisitos, e o primeiro é ter a carteira da ABA (Associação Brasileira de Aeromodelismo) atualizada e pagar o seguro anual...

Apesar disto o que vemos na prática é que 90% dos aeromodelistas não voam nada registrados ou com seguro.

Tudo bem, então se quiséssemos fazer uma "provinha" não-oficial, apenas seguindo as regras, basta lê-las para ver que precisa de uma turma com MUUUUITA regularidade, disciplina e VONTADE, o que nem sempre é fácil de encontrar.

O pessoal dos Minitérmicos aqui do site tem conseguido este grau de disciplina.

A propósito, a categoria "Minitérmicos" não é da FAI, foi criada pelo que lembro por um grupo de Argentinos - não sei a história toda, o Gustavo é quem sabe - e se tornou popular pois vem de encontro a uma demanda.

Acho que fazer o básico de "conseguir voar e ser feliz" é um objetivo mais comum dos aeroloucos que encontramos por aqui - Brasil.
Conseguir encontrar uma turma para voar nos fds ainda é tarefa hercúlea aqui no país.
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Mensagempor Marcos Quito » 23 Fev 2007 23:27

- ONDE VOAR ?

Com certeza para o planadorista esta é uma grande questão. Os lugares não são comuns, a turma é pequena, em suma, tem que ter planador "na veia".

Bom, primeiro procure neste site, seção "vamos voar", claro, depois nesta seção tem alguns tópicos que mencionam os locais de vôo.

Mas se na sua região vc ainda não localizou ninguém e vai ter que desbravar sozinho, as dicas são :

1. As modalidades que menos requerem um local específico são aquelas que têm o hi-start, ou guincho para mandar o modelo para cima : Minitérmicos, Sport, F3J.
Hi-start é aquela borracha+fio que "rebocam" o planador para cima.
Qualquer campinho de futebol vai servir.
O problema é que começar com estas modalidades não é fácil. Não é fácil se manter no ar, pegar as térmicas. Isto exige experiência. Mas escolhendo dias de sol, depois das 11:00hs, as chances são maiores de vc "enganchar" numa térmica.
O estilo é mais ou menos assim :
http://www.youtube.com/watch?v=SlXiH6yQ8QI

2. Fazendo uma pequena pesquisa na sua região, se você encontrar uma montanha pequena pode ser mais fácil, e neste caso a sugestão é pegar um planador Sport ou Minitérmico. Assim evita os percalços do Hi-start.
Vá até a montanha e procure o local onde o vento bate de frente contra o morro. Este é o local ideal para lançar o planador. Lança com a mão mesmo, é bastante simples. Apenas trace uma estratégia de retorno, caso ele não comece a subir nos primeiros 4 segundos de vôo - volte rápido ou vai ter que buscá-lo lá embaixo.
O morro é mais ou menos assim :
http://www.youtube.com/watch?v=b3QObp-asts


3. Outra opção é usar um DLG naquele mesmo campinho da opção 1. Mas com certeza requer bastante talento para agarrar uma termal.
Este cara deu alguns exemplos, mas estava ventando demais :
http://www.youtube.com/watch?v=3FWz7A4iIQU

Seja onde for, o que for : PARA COMEÇAR, NÃO VÁ SOZINHO. Com ajuda já é difícil, sem ajuda...
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Mensagempor Marcos Quito » 01 Mar 2007 06:54

Ainda falta modalidade :

- MOTO-PLANADOR...

...é que, tipo, tem a máxima da velha-guarda (eu me incluo) :

"Planadorista que é planadorista não usa motor"...

He, he, he, devo admitir, quantas vezes passamos raiva sem pegar uma ascendentezinha... é bom sim ter um motorzinho para ajudar (só que a gente não gosta, sabe...)

É que dá a impressão (realistica) de que moto-planador é naquela outra seção... Tem gente que usa J3 para pegar térmica, stickão para pegar térmica... cara quando o dia é de térmica, fica até difícil de descer.

Mas taí : Pega qualquer planador levinho e enfia um motorzinho que facilita sua vida. Tem de 1,5mts, 2, 3, 4, 6, até de 18 metros de gente grande já tem motor elétrico.
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Mensagempor Marcos Quito » 01 Mar 2007 07:34

FORÇAS QUE AGEM SOBRE O PLANADOR

Durante um vôo RETILÍNEO UNIFORME, temos estas forças agindo em nosso planador - vide figura.

Onde :
P= Peso
L= Sustentação
D = Arrasto
@=ângulo de descida
L=Pl
D=Pd

Pl=Pcos@
Pd=Psen@


O Peso aponta para baixo e pode ser decomposto em duas outras forças : Sua componente horizontal Pd (em relação à asa), e sua componente vertical Pl (em relação à asa).

Quem sustenta o planador é sua força de sustentação (L) que é igual a Pl.
Quem faz a força “motor” – puxa para a frente – é a componente do peso Pd, que é igual a D (arrasto).
"Arrasto" é a força que “freia” o planador.

Um planador está sempre “descendo” relativo ao ar, portanto tem um ângulo de descida (@).
Numa térmica, o planador continua descendo, porém dentro de uma massa de ar que sobe. Se a velocidade de descida dele for menor que a de subida da térmica, então ele sobe.
Anexos
forçasmenorjpg.JPG
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Mensagempor Marcos Quito » 07 Mar 2007 09:07

Alguns conceitos bastante importantes vêm desta figura aí em cima, por exemplo :

No "ar parado", o ângulo de planeio - @ - é quem determina a RAZÃO DE PLANEIO característica do planador.
- RAZÃO DE PLANEIO é a distância horizontal percorrida para cada metro de altura perdido.
Assim, nos anos 50 os planadores (de gente) tinham razão de planeio de 20:1 ou seja, para cada 20 metros andados para frente ele perdia 1 metro de altura.
Nos anos 80 os planadores (de gente) deram um salto e foram para razões de planeio da ordem de 50:1, com o uso da fibra de vidro.
Atualmente não acompanho para saber - mas como o progresso humano, este número só vai crescer.

Não me arrisco a dizer qual seria a razão de planeio de um planador RC, principalmente porque neste caso a dispersão é muito grande - muitos são feitos à mão, um negócio artesanal.

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Mensagempor Marcos Quito » 07 Mar 2007 22:42

O desenho ilustra o conceito, abaixo.
Anexos
razão de planeiojpg.JPG
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Mensagempor Marcos Quito » 09 Mar 2007 07:46

Observe que na "Razão de planeio" não é levada em conta a variável TEMPO.
Daí nasce outro conceito : VELOCIDADE DE AFUNDAMENTO - ou simplesmente "afundamento".

AFUNDAMENTO é a velocidade VERTICAL de descida do planador. Então um planador voando a 90km/h pode estar perdendo altura a uma taxa de 2m/s, por exemplo.

Dá muita confusão estes dois termos. Quem voa planador (de gente) lida muito mais com estes termos. Como nossos modelos não têm variômetro nem velocímetro, não nos importamos tanto com isto. Porém são conceitos úteis para entendermos algumas situações.

Enquanto falamos em razão de planeio MÁXIMA para um determinado planador, por outro lado é citado o AFUNDAMENTO MÍNIMO, porque :
É desejável que o planador ande o máximo para frente - maior eficiência ( razão de planeio).
E também é desejável que ele afunde o menos possível - maior eficiência (afundamento).

Quando é que o planador sobe ?

- Quando a velocidade vertical da térmica é superior ao afundamento dele. Daí a importância do termo.

É uma contabilidade simples : Se eu desço a uma taxa de 5m/s, e a térmica sobe também a 5m/s, então empatamos, e eu nem desço nem subo.

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Mensagempor sandro_ventania » 09 Mar 2007 22:35

se a intençao é permanencia o principal é o afundamento.
se é velocidade o principal é o planeio.

a razao de planeio esta intimamente ligado a aerodinamica buscando o menor arrasto possivel.
já o menor afundamento se busca um perfil gerador de maior sustentaçao possivel.

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Mensagempor Marcos Quito » 11 Mar 2007 22:53

Valeu Sandro, obrigado pela colaboração.

Continuando e emendando a idéia do Sandro :

Quando rodamos uma térmica precisamos do MENOR AFUNDAMENTO. Via de regra este é conseguido numa velocidade bem próxima do stoll - ou seja lento. Assim ganhamos altura.

Quando a térmica acabou ou queremos agora "andar para frente" - seguir a rota desejada - aí é que nos valemos da "MELHOR RAZÃO DE PLANEIO" (que é outra velocidade). Esta velocidade de melhor razão de planeio é citada pelo fabricante. Nós aeromodelistas acabamos "entendendo" com a experiência com um certo modelo qual seria esta velocidade, mas é puro feeling.

O desenho ilustra a situação : Usamos a térmica para ganhar altura, e depois seguimos uma parte do rumo desejado, até uma altura mínima. Depois rodamos térmica novamente, para continuar no nosso rumo e "gastar" a altura ganha. E assim sucessivamente.

De novo, em aeromodelismo não fazemos "exatamente" assim, mas o princípio é o mesmo : Tenho que ter "combustível" para me aventurar a chegar em um lugar desejado; sem esta altura mínima eu não saio.

Nota : observe que via de regra, vizinho de uma ascendente (térmica) tem sempre uma descendente, como mostra o desenho. Por isto temos que sair rápido de uma térmica para encontrar a outra.
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Mensagempor Marcos Quito » 13 Mar 2007 07:30

Pôxa Ferrarinha, tú é biólogo ?
Valeu, muito bem observado - vc tem olhos de planadorista mesmo !
Só planadorista para ficar olhando vôo de urubú - e que coisa linda ! É só o que me consola quando passo na marginal Tietê.

Indo na sequência, mais um conceito dos planadores "de gente" :

CONE DE SEGURANÇA : Este conceito já está embutido no texto aí em cima, mas vale colocar o desenhinho (aliás, Ferrarinha, pode dar uma caprichada da próxima?).

Mais ou menos assim : Você somente se afasta do local de pouso (normalmente é o mesmo local da decolagem) se tiver altura suficiente para voltar, considerando o vento e a razão de planeio daquela aeronave.
Tem até esta continha para fazer :
distância = razão de planeio x altura (o resultado é a distância que vc pode ficar da pista de pouso)

Mas em aeromodelismo não precisa. O que precisa é ter isto em mente.

Vc vê um monte de urubús voando bem na sua frente no meio do vale, mas se você não tiver altura de sobra para ir e voltar, melhor não ir.

Ou então vc é corajoso mesmo e tem tanta certeza de que lá irá conseguir recuperar altura, que vai apenas com passagem de ida. Aí depende da sua experiência.
Quando é monte de urubú mesmo, a gente acaba indo na aventura, porque é certeza que sobe.

OBSERVAÇÃO IMPORTANTE : Não se esqueça do VENTO!!! Se o vento está "indo", vc também "vai" fácil, só que depois não volta.
Então este "cone" fica deslocado com o vento.
Melhor vc "ir" de encontro com o vento, assim a volta está mais garantida.
Anexos
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Mensagempor Marcos Quito » 19 Mar 2007 07:17

Continuando, vamos falar um pouco de AERODINÂMICA.

O princípio básico da sustentação gerada por um aerofólio é descrito a seguir :

Uma superfície exposta a um fluxo de fluido com um certo ângulo de ataque gera uma força normal ao plano de tal superfície, como ilustra o desenho.
Anexos
sustentação.JPG
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Mensagempor Marcos Quito » 19 Mar 2007 17:09

Porém isto é muito rudimentar, apesar de ser possível brincar a valer com planadores feitos com asas “sem perfis” – eles também voam, porém com baixa eficiência.

Assim comprovou-se que perfis com a base mais plana geravam maior sustentação :
O ar que passa na parte de cima (extradorso) tem que percorrer uma distância maior, portanto tem maior velocidade.

Pela lei de Venturi :

MAIOR VELOCIDADE = MENOR PRESSÃO

Portanto a pressão no intradorso é maior que a do extradorso, como mostra a figura seguinte.
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Mensagempor Marcos Quito » 19 Mar 2007 17:11

Para melhorar a eficiência da asa – também chamada de “aerofólio” - foram criados e estudados diversos tipos de perfis em função da sua aplicação. Existem perfis mais eficientes para cada aplicação, como :
- Mais velocidade;
- Mais sustentação;
- Específico para “x” velocidade e “y” sustentação.

A título de exemplo colocamos alguns tipos aqui : (vide figura)

O perfil chamado de simétrico (Ex. NACA0010) não produz qualquer sustentação a um ângulo de ataque “zero”. É utilizado em aviões acrobáticos – pois funciona igual no vôo normal ou invertido.

O clássico Clark Y é classificado de “plano-convexo”, e já produz muita sustentação mesmo em zero de ângulo de ataque. Foi utilizado nos anos 50 nos utilitários tipo Piper J3. É muito utilizado no aeromodelistmo em treinadores.

O perfil de HIPERSUSTENTAÇÃO aqui ilustra a situação de uma asa de um avião comercial de passageiros no momento do pouso ou decolagem, situação que exige muita sustentação – porém baixa velocidade.

Estes exemplos ilustram algumas aplicações, porém o assunto aqui é muito vasto, e hoje existe uma infinidade de perfis para quaisquer aplicações. É natural pensar em colocar um perfil de hipersustentação num planador, porém isto já foi feito nos anos 40 e o que acontece é que o vôo fica excessivamente lento.
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Mensagempor Ferrarinha » 21 Mar 2007 12:06

PARA A MODALIDADE DS;
Nesse endereço http://www.rcsail.com/dsinfns.htm tem todas informações necessárias , tem até videos e ilustrações.

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Mensagempor Marcos Quito » 22 Mar 2007 22:54

Muito legal esse site de DS.
Bom o tópico era para iniciantes, mas já que mencionaram o vírus, tem que explicar :
DS = Dynamic Soaring = Vôo planado aproveitando os gradientes de vento (diferenças de velocidade de vento) e da inércia do planador.
Condições :
Local : Colina
Tipo de vento : médio para forte
Tipo de modelo : Huuuummmm, "modelo para DS". Ex. JW.
JW = Joe Wurts, o cara que inventou o DS no mundo, e também criou esta máquina.
O local de vôo para o DS é na vizinhança entre o vento e o rotor (as costas do morro).
Melhor ver o link, difícil de explicar :
Vc toma a pancada do vento, ganhando velocidade, depois mergulha no rotor (que é como vácuo, não oferece resistência) aumentando a velocidade, e volta de novo para tomar outra pancada, e assim sucessivamente.
Isto entra num ciclo praticamente que ressonante, aumentando cada vez mais a velocidade, até chegar no ápice do DS que é quebrar a asa em vôo :lol:
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Mensagempor Marcos Quito » 23 Mar 2007 07:25

ESTABILIDADE e CG :

Um conceito bem básico e interessante é este de estabilidade. Existem diferentes tipos de equilíbrio, basicamente estes três :

Equilíbrio ESTÁVEL : O sistema tem sempre a tendência de voltar ao repouso. Para um planador significa que se você soltar o manche, ele retorna ao vôo nivelado. Se você mergulhar um pouco, ele vai aumentar a velocidade e começar a nivelar o vôo "automaticamente".

Equilíbrio INSTÁVEL : O sistema tem sempre a tendência de sair do repouso, em qualquer direção aleatoriamente. No caso de um planador significa que se soltar o manche ele irá fazer qualquer coisa menos ficar nivelado.

Equilíbrio INDIFERENTE : O sistema tende a continuar sua posição/trajetória sem se alterar. Num planador isto significa que se você soltar o manche ele irá continuar sua tendência atual, se de subida continuando a subir, se descida continuando a descer, etc...

O mais comum é desejarmos que nosso planador tenha comportamento ESTÁVEL.
O desenho ilustra os conceitos.

Obs. : Alguns pilotos, muito experientes, podem preferir o equilíbrio INDIFERENTE para seu modelo. Isto é num estágio bastante avançado do esporte.
Mas 90% da população definitivamente não fica confortável com aquilo, porque você tem que conhecer muito bem a velocidade e o comportamento do modelo.
Em planadorismo estamos o tempo todo "testando" em vôo para saber quão perto estamos da velocidade de estol.
Assim, basta abaixar um pouco o nariz, e esperar ele fazer aquela curva "básica" de descida e depois de recuperação. No final desta subida você sabe que está mais próximo da velocidade de estol.
Anexos
estabilidadejpg.JPG
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Mensagempor Marcos Quito » 26 Mar 2007 06:53

TRIMANDO O MODELO :

Para ocorrer o EQUILÍBRIO ESTÁVEL existe uma condição básica :

“O CG deve ficar à frente do CP”

CG = Centro de Gravidade
CP = Centro de Pressão

Todo aerofólio (entenda-se “asa”) possui um CENTRO DE PRESSÃO. O centro de pressão é o ponto médio das forças de sustentação da asa.

CG é o Centro de Gravidade, ou seja o centro do “peso” do planador.
Via de regra, para planadores convencionais o CG está localizado a aproximadamente 30~33% da Corda Média. Se você tem a planta do modelo, melhor consulá-la neste momento.

O CP pode ser conseguido dos dados do perfil em questão, mas para nossa prática ele ficará como um "ser imáginário" mesmo.

Quando o CG está à frente do CP temos equilíbrio ESTÁVEL.
Quando o CG está junto do CP temos equilíbrio INDIFERENTE.
Quando o CG está atrás do CP temos equilíbrio INSTÁVEL.

REGRA DE OURO :
Por isto é que dizemos, “melhor CG adiantado do que atrasado”.

Quando vamos estreiar um planador, melhor colocar um chumbo a mais no nariz para evitar surpresas, pois, se ele estiver com o CG para trás, ficará incontrolável = lenha na certa.

Se estiver com o CG para frente, com certeza controle você terá.

Para o máximo de rendimento de um planador ele deve ter o CG mais próximo possível do CP, sem comprometer a estabilidade. Para isto, começamos com CG adiantado, e vamos tirando pouco-a-pouco o peso do nariz até conseguir o melhor rendimento, ou até perceber que o modelo está ficando incontrolável.
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Tire esse negócio que gira do nariz do seu modelo !!

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Marcos Quito
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Mensagempor Marcos Quito » 27 Mar 2007 06:35

[quote:5b849420dc="MARCOS QUITO"]TRIMANDO O MODELO :
CG é o Centro de Gravidade, ou seja o centro do “peso” do planador.
Via de regra, para planadores convencionais o CG está localizado a aproximadamente 30~33% da Corda Média. Se você tem a planta do modelo, melhor consulá-la neste momento.
[/quote:5b849420dc]

Somente para reforçar, estamos falando de planador convencional = asa principal + profundor.
No caso de asas voadoras = aeronave com uma asa somente, esta regra muda um pouco, e a porcentagem cai para 20%.
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DIVE TEST :

Para checar se seu modelo está com o CG correto não basta a teoria. Devido às diversas outras variáveis, geometria, etc..., do modelo, vc precisa testá-lo em vôo e assim fazer um ajuste mais fino do CG.

O dive test é a maneira mais fiel que já encontrei. Consiste em mergulhar o modelo num ângulo de uns 30~45 graus, e então soltar o comando e observar :

1. Se o modelo for recuperando, e subir o nariz rapidamente, então está com peso de nariz, que é uma condição desejável para iniciantes, e para quem quer relaxar. Porém existe perda de eficiência nesta condição, tipo, dá prá melhorar.

2. Se o modelo for descendo reto, e não se recuperar sozinho, mas continuar reto, então está com o CG na mosca. É uma condição ideal, porém dá algum desconforto para quem não está acostumado. Definitivamente não recomendável para iniciantes.

3. Se o modelo embicar para o chão conforme ganha velocidade, e ao invés de recuperar, for mais em direção ao solo, então ele está com peso de cauda (acredite ou não !!! * ). Esta é uma condição totalmente desaconselhável para qualquer pessoa. Porém alguns experts em DLG voam nesta situação, pois dizem que é ótima para pegar térmicas.

Minha recomendação, comece no número 1 (peso de nariz), que é o mais estável, evita stoll, e vai tirando peso do nariz gradativamente, até chegar no ponto que prefere.

O desenho ilustra.

Considero ideal um leve peso de nariz, apenas para ele não embicar no mergulho, e fazer uma recuperação beeeeemmm lenta.

* Explicação : Para entender, o efeito é o seguinte : Um planador funciona porque a gravidade puxa ele para baixo (age como motor), e a resultante aerodinâmica puxa ele para cima. Aumentando a velocidade isto fica mais pronunciado, no mergulho, e ele sobe o nariz naturalmente.
Quando o CG está para trás (peso de cauda) a gravidade não consegue agir por si só, e o modelo tende a levantar o nariz para o estol, então vc interfere na resultante aerodinamica dando comando de "picar", fazendo ele baixar o nariz. Isto quer dizer que a resultante aerodinamica fica no limite entre zero e negativo. Ao mergulhar, a velocidade aumenta, então isto fica mais nítido e ele acaba "embicando" para baixo.
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Mensagempor Marcos Quito » 29 Mar 2007 08:17

ENCONTRANDO O CG :

Já que - como sempre - estão com várias dúvidas para encontrar CG...
Tenho a impressão que o CG errado (atrasado) é a causa de 80% dos acidentes/insucessos dos mais novatos no hobby. E mesmo dos mais experientes, a gente constrói com uma fé tão grande que o CG vai estar "pronto" no final, que às vezes esquecemos de medir direito, com o aileron instalado...

CÁLCULO DO CG :
O melhor é seguir as instruções do fabricante quanto à posição do CG, porém existem métodos relativamente fáceis para se calcular. O que se busca é a Corda Média Aerodinâmica (que obviamente é diferente da Corda Média aritmética).

Para asas retangulares, com Corda constante, a própria corda é a Corda Média Aerodinâmica. Aí é fácil né ?

Porém é comum encontrarmos tipos diferentes de formatos de asa, onde o método geométrico é o mais simples e é ilustrado a seguir :

1. Pega-se a corda da raiz, coloca-se nas duas extremidades da ponta.
2. Faça o mesmo com a corda da ponta : coloque nas duas extremidades da raiz – bordo de ataque e bordo de fuga.
3. Una as extremidades. No cruzamento encontre a Corda Média.
4. Tire 30% da Corda Média, aí é o CG. Isto é válido para asas enflexadas também, para planadores convencionais.

Para asas voadoras esta porcentagem cai para 20%.

Reforçando :

Planador convencional = entenda-se como aquele que tem asa grande na frente e estabilizador/profundor atrás.
CG = 30% Cmed

Asas Voadoras = entenda-se como o modelo que tem APENAS um aerofólio, uma asa horizontal.
Ex. Zagi, JW.
CG = 20% Cmed
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Mensagempor Marcos Quito » 01 Abr 2007 23:20

VELOCIDADE DE ESTOL

ESTOL (o termo vem do inglês “stall”) é a perda de sustentação da aeronave. Ocorre quando a aeronave se encontra num ângulo de ataque maior que o crítico, fazendo com que os filetes de ar não mais acompanhem o extradorso da asa, tendo como consequência uma abrupta perda de sustentação e aumento do arrasto.

Bom esta explicação cola mais para aviões motorizados.

A velocidade de estol é dita como a mínima velocidade possível de se voar. Durante o vôo o piloto deve ficar de olho no velocímetro, para não deixar a velocidade diminuir até este ponto, caso contrário ocorrerá o que chamamos de PERDA. É a própria perda de sustentação.

Qualquer aeronave dinamicamente estável irá entrar em perda quando atingir a velocidade de estol, fazendo ela baixar o nariz para aumentar a velocidade e assim retomar o vôo normal.

O problema é que nem sempre existe altura suficiente para esta retomada, e a conseqüência é o “nariz no chão”. Daí o seu risco, principalmente em aproximação para pouso, quando a aeronave já se encontra a baixa altura.

Existem graus de intensidade de perda, mais qualquer que seja, deve ser evitada.

É de consenso também que quando estamos numa térmica, para aproveitá-la ao máximo, precisamos ficar na velocidade de MENOR afundamento – que é bastante próxima da velocidade de estol.

Provocamos o estol num planador quando seguramos o profundor cabrado demais – ou simplesmente cabrado por tempo demais. Cada “estolada” gera perda de energia, por isto é melhor não estolar e deixar o modelo “andar para frente” do que ficar estolando ele (com medo de afundar).

O principiante faz muito disso, decola e começa a puxar (cabrar) com medo de afundar, e logo o planador estola – piorando a situação.

Antes de estolar o modelo nos dá alguns sinais : Levanta o nariz, dá uma tremida nas asas, e se você insistir em cabrar, por fim ele fica sem controle e uma das asas cai totalmente e ele entra num mergulho feio.

Já vi muita gente chamar esta situação de “interferência” – porque a sensação que dá é que o modelo está totalmente sem controle e não responde aos comandos. Ele não responde aos comandos porque não tem velocidade !

Quando não conhecemos o modelo o melhor que podemos fazer é deixar o nariz dele mais baixo, deixa ele correr céu, e quando estiver bem alto comece a ajustar o trim e se acostumar com sua velocidade de estol.

Há tem outra : Próximo da velocidade de estol o leme funciona mal. Às vezes estamos tentando fazer uma última curva para pouso e não conseguimos, porque a velocidade é muito baixa. Para corrigir, basta picar um pouco, ele ganha velocidade e então gire – ele vai obedecer agora.

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Mensagempor Marcos Quito » 04 Abr 2007 09:12

COMO MEDIR O CG

Existem muitas dúvidas de como se descobre praticamente onde ESTÁ o CG do seu modelo – apesar de ser simples :

Depois que você já descobriu ONDE fica o CG DESEJADO, a recomendação é que faça um desenho na asa (parte de baixo) – uma bolinha em cada asa – esquerda e direita. Use aquela caneta que escreve em CD.

Agora APÓIE o modelo pela ponta dos dedos, no lugar marcado.

Tem gente que indica segurar pela PONTA das asas – um em cada ponta – mas pode incorrer em erro grosseiro no caso de asas enflexadas.

Por isto o melhor é : Tenha CERTEZA de ONDE é a localização, DESENHE, e apóie SOBRE as marcas. Não seja muito criativo nesta hora.

Obedeça a planta, siga as instruções do fabricante, ou de quem já voou o mesmo modelo.

MODA : 99,9% dos modelos estão com peso de cauda no primeiro vôo.
É óbvio, ninguém quer deixar um planador mais pesado, então colocamos só o peso suficiente no nariz. Mas esquecemos que depois que fizemos “quase tudo”, colocamos o push-rod até a cauda, entelamos o profundor, e então o CG foi para trás !!

Observação : Não faça isto no morro, sob vento ! Se for fazer em campo, faça atrás do carro, onde o vento é mais fraco.
Tire esse negócio que gira do nariz do seu modelo !!


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