TELA E DOPE

Este é o espaço para tirar suas dúvidas relacionado a construção de um aeromodelo,para os vários experts de plantão possam responder. Aqui também estarão os famosos artigos que já enriqueciam o outro fórum.

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cmvahia
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TELA E DOPE

Mensagempor cmvahia » 31 Dez 2019 12:24

Saudações,
Estou com um antigo kit da graupner. De 1968!!! Um AMATEUR.
O kit está incompleto. Preciso de balsa para as asas e outras pequenas coisas.
Mas gostaria de entelar com TELA e DOPE. Aquele tradicional mesmo.
Alguém me dá uma dica de onde conseguir?
Abraços
Carlos Vahia
Faça voar...____________>

jroma
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Re: TELA E DOPE

Mensagempor jroma » 05 Jan 2020 13:43

Prezado, estou passando pelo mesmo problema e colhendo informações a respeito.
Não sei o quanto conhece a respeito, então serei o mais didático possível, como se não soubesse nada.
Consegui até agora levantar em um dos fóruns que pesquisei, que o "Dope" nada mais é que selante de madeira (um tipo de verniz nitrocelulose), sem a "carga", um resíduo da produção que parece um pózinho suspenso no líquido.
A receita que deram para contornar o problema foi a seguinte:
Misturar bem o selante na proporção 1X1 com o tinner indicado na lata e deixar decantar de um dia para o outro, depois disso, passar para outro recipiente, devagar, "coando" em um pano, sem agitar e sem chegar ao final do vasilhame.
Está pronto o "Dope".
Não testei ainda, mas tem todo o sentido pois o que conta é a base do produto.
A tela de seda nada mais é que papel de seda de fazer pipa e maranhão (o de seda não o manteiga), encontra-se em inúmeras papelarias, a preços muito acessíveis, o resultado é bom, mas não ideal como os papéis "Mino" de seda japonesa, muito finos e de ótimo acabamento.
Já ví usar muitas vezes os dois e funcionam bem, a escolha vai depender do acabamento desejado.
Uma opção interessante na minha opinião seria usar uma tela de nylon, que era também muito usado antigamente (e que estou estudando), esticado com dope misturado com um pouco de talco para tapar os poros.
Antigamente usavam desde um tecido de nylon muito fino e de tramas muito fechadas, que dava um ótimo acabamento, até um tecido chamado popularmente de "filó" um tipo de revestimento furadinho para vestidos, bom e barato, funciona mas tem os furos muito grandes para tapar, dá um resultado "rústico").
Nesse caminho uma opção que estou pensando em testar, usar nylon de serigrafia, com a trama mais fina que meu bolso puder pagar.
Este tipo de entelamento, se usado um nylon fino, fica
muito bonito e muito mais resistente que a seda, imitando um pouco a tela aeronáutica real, pois quem olha percebe as tramas do tecido.
Agora caso queira o papel de seda "original", de boa qualidade, a Casa Aerobrás tem disponível acho que 8,00 a folha do papel grosso, só vermelho e 15,00 a folha do fino "Flite Spam" só amarelo e 'Lite Flite", só laranja, cotado recentemente (só não sei se tem todas as cores disponíveis), não é muito caro.
Caso não encontre a cor desejada, coloque "papel de seda japonesa" na busca do ML, que encontrará o que procura (meio caro por lá, mas é uma opção).
O mesmo vale para o "Dope Original" (Casa Aerobrás)
Vai encontrar lá a balsa de que precisa, o tanque de latão, arames, rodas, hélices tradicionais de madeira marfim, etc.
Algumas coisas a preços excelentes, outras meio carinhas.
O que mata é o frete, por exemplo, se quiser comprar uma chapá de madeira que exceda 68 cm, vale a pena pedir para cortar uma ponta, pois se o pacote exceder 70 cm paga uns 40,00 reais a mais no frete.
Comprei deles recentemente e atenderam muito bem por email e por telefone.
Email da casa Aerobrás: casaaerobras@casaaerobras.com.br
Tel (11) 3255-0544
Espero que tenha ajudado, qualquer coisa entre em contato.
Jorge

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Sereno
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Re: TELA E DOPE

Mensagempor Sereno » 06 Jan 2020 08:01

Compre tecido e dope no link abaixo. Se não quiser comprar o tecido utilize o material chamado organza que é utilizado em cortinas, é barato e já utilizei até para silk-screen em camisetas. Utilizado aqui na minha região em entelagem de aeromodelos desde os anos setenta sem problemas. Boa sorte.

https://www.mercadodoaviao.com/pecas-e- ... nte/29/485
Em apenas dois dias o amanhã será ontem.

Rensanches
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Re: TELA E DOPE

Mensagempor Rensanches » 06 Jan 2020 16:12

Sou aeromodelista que praticava voo livre A-2 até 1980, não conheço o modelo Amateur, nem consegui informações pela WEB, gostaria de saber o tipo de modelo, para poder passar um pouco da minha experiencia com entelamento com dop.
Renato Sanches

Rensanches
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Re: TELA E DOPE

Mensagempor Rensanches » 06 Jan 2020 17:31

cmvahia,
consegui achar na WEB duas postagem do Youtube, v í que é um aero radio controlado de 3 canais, um esta com motor ASP 15 e outro com elétrico. Nesse caso para não acrescentar muito peso entelaria com papel que era utilizado nos VCC (U-Control) e se for utilizar motorização elétrico, deixaria somente no dop (menos peso) ou então partiria para procura de seda (pura de fios do bicho da seda), (não organza de seda que é um nylon) e deixaria na cor da própria seda, agora se for utilizar motor glow há necessidade de pintura esmalte ou automotiva ou verniz sparlack, tanto a seda como o papel nao sao amigaveis com pintura em termos de acabamento, quanto melhor o acabamento mais peso de tinta.
Seladora tem no mercado uma concentrada (mais cara) que no caso seria melhor para você conseguir fazer o dop.
Entelei com seda, vários modelos e ficaram bons, é trabalhoso fechar os poros da seda onde não há madeira nos vãos da asa. Com organza de seda desisti, fica pesado, não estica a contento. Com papel o problema é que é frágil, a vantagem dos reparos se não pintado é que soluciona com o próprio papel, "colado" com um pedaço de papel sobre o rasgo ou furo, utilizando dop diluido.

Bem, é claro que a decisão sobre acabamento é sua, somente deixei sugestões de minha experiencia.
Renato Sanches

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hermesed
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Re: TELA E DOPE

Mensagempor hermesed » 07 Jan 2020 21:25

Desculpe pelo pitaco, mas até onde eu sei, o papel Mino é de fibra de arroz. Bem diferente do papel de seda de pipa que é mais fraco.
Quanto ao dope, pode ser utilizado a seladora de madeira com algumas gotinhas de óleo mineral SEM AÇÚCAR. Ele serve pra não ficar quebradiço com o tempo.
Matar um leão por dia é fácil...difícil é desviar das antas !!!

snag
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Re: TELA E DOPE

Mensagempor snag » 10 Jan 2020 10:53

hermesed escreveu:Desculpe pelo pitaco, mas até onde eu sei, o papel Mino é de fibra de arroz. Bem diferente do papel de seda de pipa que é mais fraco.
Quanto ao dope, pode ser utilizado a seladora de madeira com algumas gotinhas de óleo mineral SEM AÇÚCAR. Ele serve pra não ficar quebradiço com o tempo.


Também acho que o papel Mimo é o papel de fibra de arroz..
Mas nunca ouvi falar de óleo mineral com açúcar.... Acho que você queria dizer: “ÓLEO DE RÍCINO sem açúcar”? Óleo de rícino vendido em farmácia costuma ter adição de açúcar pois é usado por via oral como laxante...

Mas pelo que sei, nem precisa ser óleo de rícino. Qualquer óleo miscível no dope/thinner serve como “plastificante”. Já ouvi falar até de gente que usou óleo de cozinha. E, dependendo da quantidade de dope que você está preparando, uma gota de óleo pode ser demais. As vezes, basta molhar a ponta de um palito no óleo, deixar escorrer um pouco e misturar o que sobrou do óleo no dope com próprio palito. Se usar muito óleo, o dope nunca seca completamente e fica com a superfície grudenta... Sempre é bom fazer um teste antes de aplicar no modelo: pegue algumas varetas e faça um quadrado com uns 10cm de lado ou pegue um pedaço de uma caixa de papelão, corte um furo quadrado e aplique o papel de seda. Dê uma demão ou duas de dope, espere secar e veja se o resultado ficou bom.


E, já que estou por aqui, aproveito para dar alguns pitacos também:

- Se o modelo em questão for igual a este do link https://outerzone.co.uk/plan_details.asp?ID=4246 , assim como disse o outro colega, eu tomaria cuidado na escolha da entelagem, pois trata-se de um modelo pequeno. Segundo o autor do review do kit para a revista Radio Modeler, de maio de 1967 (quarto download no link acima), o modelo foi entelado com Monokote e com um motor OS Pet (1,5cc) chegou a 27oz (765g). Com a adição do equipamento de RC (receptor OS Superhet, dois actuadores e baterias) o peso final ficou em 42oz (1.190g)!!! Neste tópico do RCGroups (https://www.rcgroups.com/forums/showthr ... for-flight ), falam que o modelo tem uma área alar de 275 polegadas quadradas, ou 17,74dm2. Isso dá uma carga alar ao redor dos 67g/dm2!!! Na minha modesta opinião, é uma carga alar muito elevada para um modelo deste tamanho, principalmente considerando que se trata de um treinador 3 canais... Um dos comentários diz que, de fato, o modelo é muito mais pesado que outros modelos da época, como o Sterling Mini Mambo, o Top Flite Schoolmaster, o Goldberg Falcon Jr ou o Midwest Li'l Esquire, que possuíam aproximadamente a mesma envergadura e área alar. Com equipamento moderno, é possível montá-lo bem mais leve... O modelo do tópico acima ficou com 27oz (765g) com um motor OS Max 10, micro-servos e bateria NimH de 350mAh! Isso dá uma carga alar de 43g/dm2. Ainda acho um pouco alta, mas bem mais aceitável que no modelo do artigo de 1967!
Duas coisas que chamam a atenção na planta do modelo:
1- a posição do GC, a 80mm do bordo de ataque que, numa corda de 190mm, dá 42%!
2- e o downthrust do motor é de aproximadamente uns 10 graus!

- Como já foi dito, se usar motor glow, vai precisar aplicar algum tipo de verniz, pois o metanol ataca o dope.

- “Tela e dope” é uma expressão muito genérica... Precisa ser mais específico... Que tipo de acabamento você quer? Você quer um acabamento translúcido? Ou pretende pintar o modelo? É preciso definir o tipo de acabamento para, então, considerando o tamanho e tipo, escolher as opções de materiais mais apropriadas ao modelo.

Abaixo algumas observações sobre alguns materiais que conheço um pouco:

- Papéis de seda não são todos iguais. Até mesmo a expressão “papel de seda japonês” não significa muito, dependendo do contexto. Isso porque existem dezenas de tipos de “papéis de seda” produzidos no Japão: https://www.casadorestaurador.com.br/lo ... s-diversas , https://www.washiarts.com/conservation-papers , https://shop.paperconnection.com/collec ... se-tissues , https://www.preservationequipment.com/C ... ese-Papers .

O papel tradicionalmente usado para modelos de vôo livre é o Esaki, que aparentemente deixou de ser fabricado (https://www.hippocketaeronautics.com/hp ... ic=24445.0.
Outro papel japonês usado em modelos vôo livre, embora não seja mais tão comum, é o papel Gampi.
Apesar de não ser, necessariamente, japonês, o Silkspan é outro papel bastante usado, principalmente pelo pessoal do VCC. Ele só é fabricado na cor branca e vem em 3 gramaturas ( https://sigmfg.com/products/sig-silkspan-tissue ).

O papel de seda fino (Lite Flite?) vendido na Aerobras é praticamente idêntico ao Esaki que eu costumava comprar na extinta A2Z. A única diferença notável é que o papel vermelho da Aerobrás tinha uma tonalidade mais para rosa que para vermelho. De qualquer forma, acho que faz uns 20 anos, ou mais, que a Aerobrás não recompõe o estoque de papel de seda. Lembro que o papel era vendido nas cores amarelo, laranja, vermelho e azul. Da última vez que passei lá, só tinha laranja…

Um fato importante, e que muita gente parece desconhecer, é que existe uma característica especial que distingue o papel de seda japonês (e o silkspan) dos papéis de seda comuns: a resistência à água (wet strength).
No caso de alguns modelos pequenos, ou de estrutura muito frágil, a única opção é entelar com o papel seco. Mas, no caso dos outros modelos, e especialmente aqueles com superfícies mais complexas, a melhor opção é entelar com o papel molhado. Quando o papel é molhado ele se expande e fica mais “maleável”. Isso ajuda a cobrir superfícies com curvas compostas (curvas em dois sentidos) como as pontas de asas ou fuselagens. Outra vantagem é que o papel molhado “gruda” na estrutura do modelo devido a tensão superficial da água . Ao mesmo tempo, é mais fácil de reposicioná-lo já que a cola não seca tão rapidamente. Fica muito mais fácil de se evitar que a entelagem fique com pontos enrugados. Com o papel molhado, dá para entelar uma fuselagem com apenas dois pedaços de papel de seda:
https://www.youtube.com/watch?v=DrO-0ktP1qk

O único porém é que, como você está aplicando o papel que está expandido pela água, quando secar, ele vai encolher bem mais do que se tivesse sido aplicado a seco. Se o modelo for muito frágil ou a seleção da balsa usada for inadequada, a estrutura vai ficar distorcida com a tensão provocada pelo encolhimento.

De maneira geral, o papel de seda comum simplesmente se desmancha se for manipulado molhado. Para entelar curvas compostas a seco, você precisa analisar a estrutura e entelá-la em partes, quase como se você estivesse chapeando com balsa... Por outro lado, o papel de seda comum é oferecido numa variedade de cores muito maior que o papel Esaki...
Então, dá para usar o papel de seda comum a seco, em alguns modelos. E, devido a variedade de cores, pode ser ótimo para decoração, faixas, etc.

A grande vantagem do papel de seda é que além se ser muito leve, proporciona uma grande resistência torsional a estrutura do modelo.
A grande desvantagem é que o papel fura (e rasga) com facilidade.
Por isso, excetuando os micros (talvez, até uns 70cm), não recomendaria para outros modelos RC.

- Seda (tecido de seda) - era o material tradicionalmente usado antigamente. A Sig ainda oferece tecido de seda para aeromodelos (https://sigmfg.com/products/sig-heavy-d ... 5551163401 ), embora a seleção de cores e gramatura seja muito limitada. As vezes, também aparece alguma coisa no ebay, mas geralmente, somente um ou dois pacotes de cada vez. Cada pacote vem com apenas 1 jarda quadrada. Nestes dois casos, o problema é o custo. Nos foruns gringos, alguns usuários recomendam o tecido vendido pela Dharma Trading (https://www.dharmatrading.com/fabric/si ... _silk.html ). A gramatura do tecido de seda é expresso em “mm” (momme = peso em libras de um pedaço de tecido de 100 jardas de comprimento e largura de 45 polegadas). Os tecidos recomendados são os dois mais leves, de 5mm (18,75g/m2) e o de 8mm (30g/m2). Segundo alguns relatos, a seda colorida de 8mm vendida por este site não encolhe muito (não fica tão esticada depois de seco) e é mais difícil de trabalhar que a seda branca. Mas é possível tingir a seda branca em casa, apesar de dar muito trabalho.
A seda é sempre aplicada molhada e o acabamento com dope requer paciência e experiência. Um problema comum é forçar a mão e deixar o dope escorrer do outro lado do tecido. Quando o dope seca, a parte com o corrimento encolhe mais que o resto da entelagem, arruinando o acabamento.
O tecido de seda oferece uma grande rigidez torsional, grande resistência ao furos/rasgos, além de um visual perfeito para modelos oldtimers. O grande senão é o custo do material.

- Tecido usado em aviação experimental pode ser uma ótima opção, mas apenas para modelos grandes/gigantes. Tecido com gramatura de 100 ou 150g/m2, mais o dope para selar e a pintura, não é para qualquer modelo! Existem produtos vendidos especificamente para aeromodelos, como o Sig Koverall (tecido de poliéster de 42,4g/m2) que me parecem bem mais apropriados para usar em modelos de médios/grandes. Outro problema em comprar material para aviação escala cheia é que a quantidade costuma ser muito grande para uso em modelos. Além do custo, quantos modelos você precisa montar para consumir 3,6 litros de dope?

Para modelos pequenos/médios, existem materiais como o Polyspan (https://www.faimodelsupply.com/product/ ... x-12-roll/ ). Trata-se de um tecido-não-tecido (non-woven), feito de fibras de poliéster, vendido em duas gramaturas (18/m2 e 24/m2), mas somente na cor branca. Não vem com adesivo, portanto precisa usar algum termo-adesivo como o Balsaloc.. Precisa ser selado com dope ou verniz a base d’água. Pode ser pintado ou pode se adicionar corantes no dope e/ou no solvente para obter um acabamento translúcido colorido. No caso de pintura, um problema que alguns usuários relatam é que a separação das cores não fica muito boa porque quase sempre acontece alguma migração de cor por baixo da masking tape. Dizem que o Polyspan é o mesmo tecido-não-tecido de poliéster usado como forro na industria da confecção (aviso: não é o mesmo material popularmente chamado de TNT no Brasil).

- Tissue over Doculam – essa é uma opção para quem quer a aparência do acabamento translúcido tradicional em seda sem o custo do tecido de seda ou a fragilidade do papel de seda. É uma variação do método usado pelo pessoal de vôo livre chamado “tissue over mylar”. Segundo os entendidos, no caso do “tissue over mylar”, o acabamento pode ficar até mais leve que o papel de seda utilizado sozinho, pois com a barreira plástica de um lado, precisa de menos dope para selar o papel de seda (http://www.gryffinaero.com/models/ffpag ... tml#weight ). O Mylar é um filme de poliéster extremamente fino. No caso do vôo livre, o pessoal usa filmes de 3µm, 5µm até 10µm (0,003 - 0,005 – 0,01mm). O “tissue over mylar” é uma ótima opção para modelos micros até médios devido a leveza e a resistência do acabamento. A desvantagem é o custo do Mylar e a dificuldade de trabalhar com o material que costuma grudar nele mesmo devido a eletricidade estática (para quem não sabe, entre outras coisas, o mylar é usado na fabricação capacitores elétricos).
Já o Doculam é uma marca de filme de poliéster termo-adesivo usado para plastificar documentos. O filme vem na cor branca e fica transparente com a aplicação de calor. A espessura recomendada para uso em modelos RC é a de 1.5mil (1,5 milésimos de polegada ou 0,038mm). Existem outras marcas deste tipo de filme plástico, mas algumas, especialmente as mais baratas, utilizam um plástico diferente (acho que o polipropileno) e que não adere bem nenhum tipo de tinta (ou dope). O próprio Doculam não é aquela maravilha nesse quesito: como o filme é transparente, alguns usuários preferem pintá-lo para obter um acabamento opaco e, muitas vezes, se deparam com o problema da tinta sair junto ao se retirar a masking tape usada para separar as cores. Algumas pessoas recomendam passar uma esponja de aço no Doculam para melhorar a aderência. Como não se usa masking tape no processo, isso não afeta o método do “tissue over doculam”. Normalmente o doculam é vendido em rolos de 500 pés (150m), mas alguns vendedores voltados ao modelismo oferecem o produto em quantidade menores: https://www.ebay.com/itm/Doculam-Clearf ... XQdm5Q-f~S . Lá fora, comparado com o Mylar ou outros filmes termo-adesivos, o Doculam é bem barato.
Basicamente, o “tissue over doculam” consiste em entelar o modelo com o Doculam usando um ferrinho (como se faz com outros filmes termo-adesivos), passar uma ou mais demãos de dope e esperar secar . Depois aplica-se o papel de seda (molhado), usando um pincel molhado em thinner pra fazer o papel aderir ao doculam. É possível usar verniz a base d’água no lugar do dope.

A vantagem deste método, além do visual clássico, é unir a resistência torsional do papel de seda e a resistência ao furo/rasgo do filme plástico.

Existem outras variações deste método, como por exemplo:
- “polyspan over doculam” – versão mais robusta que o tissue over doculam;
- “silk over tissue” – consiste em entelar primeiro com papel de seda e selá-lo com dope. Depois, aplica-se o tecido de seda. O objetivo é criar uma barreira do lado interno para evitar que o dope passe para o outro lado do tecido de seda e escorra.

E, certamente, existem outros métodos e outros materiais comercializados para entelagem de aeromodelos. E outros tantos, produzidos para outros fins, e que podem ser utilizados. Cada método, ou material, tem suas vantagens e desvantagens. É uma questão de pesquisar e testar...

- Onde comprar - tirando o dope e algum papel de seda japonês, que é possível encontrar na Aerobrás e talvez, em outras lojas do ramo, não existe nenhum distribuidor oficial de material para entelagem do tipo “tela e dope” para aeromodelismo no país. A Stunt Hobbies, que é uma loja especializada em VCC, até tem dope, silkspan e polyspan na lista de produtos, porém todos indisponíveis ( https://stunthobby.com/categoria/materi ... ento/19350 ). Com certeza não existe demanda para justificar manter estoque permanente desses produtos.
Mesmo em países como os EUA, Grã-Bretanha ou Austrália, com muitos mais aeromodelistas e tradição no uso de acabamento em dope que o Brasil, a maior parte desses materiais só é encontrado on line.
Infelizmente, o aeromodelismo é uma atividade em declínio. Basta ver alguns acontecimentos nos últimos anos: o fechamento da Tower Hobbies (que foi “comprada” pela Horizon Hobbies); a Solarfilm (fabricante do Solarfilm, Solartex, Litespan, etc) encerrou a produção no ano passado ( https://solarfilm.co.uk/ ); A JR também cessou a produção de produtos ligados ao modelismo para se dedicar exclusivamente ao setor industrial (http://www.jramericas.com/news_feed.php?#newsid69 ).

A maneira mais fácil que conheço é adquirir esses produtos no exterior via internet. Todo o meu material precisei importar. Papel Esaki, Mylar, Polyspan e Doculam foram comprados lá fora. Até o verniz a base d`água (Minwax Polycrylic, 1 pint ou 476ml) comprei na Amazon, pois, na época, as únicas marcas que encontrei no Brasil (e que eu não tinha certeza se funcionariam para a minha aplicação) só eram vendidos em latas de 18l.

Outra possibilidade é procurar e testar produtos alternativos no Brasil. Uma vez, recebemos, no meu trabalho, um material embalado em um plástico super fino, mas muito resistente. Não dava para rasgar o plástico com a mão. Peguei as embalagens que iriam para o lixo e entelei a asa de um HLG. Depois apliquei o Esaki. Ficou muito bom. E é muito provável que existam produtos similares ao Polyspan ou ao Doculam no mercado nacional... Nunca encontrei... Se alguém souber...

Abraços


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